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Fortalecendo rede de cooperativas para ampliar impacto positivo no Rio Grande do Sul
Published 06/26/2026 by rferreira

A reciclagem ainda enfrenta muitos desafios para os trabalhadores que a sustentam. Por isso, criar espaços de encontro, troca e aprendizado coletivo pode ser tão importante quanto o acesso a recursos e capacitações técnicas.
Foi com esse propósito que reunimos catadores e catadoras participantes da capacitação de cooperativas no Rio Grande do Sul em um encontro especial.
O evento representou um passo fundamental na construção de uma rede mais forte, conectada e preparada para enfrentar desafios comuns, além de dar a oportunidade de os participantes aproveitarem o conhecimento coletivo.
Estavam presentes no evento as 6 cooperativas participantes da capacitação que realizamos ao longo do primeiro semestre de 2026:
- Associação de Recicladores Ecológicos da Rubem Berta em Porto Alegre;
- Cooprevive em Sapucaia do Sul;
- Associação dos Catadores da Vida em Venâncio Aires;
- Coopervales em Venâncio Aires;
- ATUT em Porto Alegre;
- Cooperativa Estação Reciclar em Montenegro.
Além das cooperativas convidadas, COADESC de Porto Alegre e CMGC e Canoas.

A força da rede
Entre março e junho, cerca de 100 participantes (integrantes de 6 cooperativas de Porto Alegre, Venâncio Aires, Sapucaia do Sul e Montenegro) participaram de uma jornada formativa voltada ao fortalecimento das cooperativas e dos catadores e catadoras de materiais recicláveis. No total, foram 9 encontros, que totalizaram 96 horas de treinamento. Ao longo desse processo, foram trabalhados temas que vão desde gestão e planejamento até comunicação, tomada de decisão e autocuidado. Mas, embora o conteúdo seja essencial, há algo que não se aprende quando os grupos estão separados: a construção de vínculos.
É nesse ponto que o encontro ganha ainda mais relevância. Ao reunir diferentes cooperativas em um mesmo espaço, criam-se oportunidades reais de troca, reconhecimento de desafios comuns e construção conjunta de soluções.

Visita às cooperativas
Como etapa prevista ao projeto, a equipe da Global Communities Brasil recebeu Mabel Bejarano, líder da iniciativa na sede da organização nos Estados Unidos e responsável pela gestão do financiamento. Ao longo de dois dias que antecederam o evento, foram visitadas as seis cooperativas participantes para conhecer suas estruturas e identificar potencialidades e desafios.
Apesar dos diferentes estágios de desenvolvimento, foram observadas necessidades comuns relacionadas à infraestrutura, gestão, captação de recursos, parcerias, comercialização e comunicação. As visitas também promoveram uma escuta atenta das experiências e soluções construídas em cada território. As informações coletadas orientarão planos de desenvolvimento específicos, transformando os aprendizados da capacitação em ações concretas para fortalecer as cooperativas e toda a rede.




Trocas que geram aprendizado
O encontro representou uma oportunidade de conhecer de perto a realidade de outras cooperativas.
Histórias diferentes, contextos distintos, mas desafios muitas vezes semelhantes: dificuldades na comercialização, organização interna, acesso a mercado e reconhecimento do trabalho. É nesse compartilhamento que surgem novas possibilidades.
O que deu certo em uma cooperativa pode inspirar outra. Uma solução simples, construída em um território específico, pode ser adaptada em outro. Mais do que isso: ao perceber que não estão sozinhos, os grupos se fortalecem.
A troca, nesse sentido, deixa de ser apenas um momento pontual e passa a ser um elemento estruturante para o desenvolvimento coletivo.

Catadores como agentes de mudança
O encontro também reforça um ponto central, criar uma identidade coletiva dos catadores e catadoras como agentes fundamentais de transformação socioambiental.
São eles que garantem que toneladas de resíduos sejam reinseridas na cadeia produtiva, contribuindo diretamente para a economia circular e para a redução de impactos ambientais.
Mas, apesar da relevância do seu trabalho, ainda enfrentam desafios relacionados à valorização, às condições de atuação e ao reconhecimento.
Fortalecer cooperativas é, portanto, também uma forma de promover dignidade. É garantir melhores condições de trabalho, ampliar oportunidades de geração de renda e reconhecer o papel essencial desses profissionais na construção de cidades mais sustentáveis.

O valor do encontro
Se a capacitação oferece ferramentas, o encontro oferece algo igualmente importante: sentido coletivo.
É no encontro que os aprendizados ganham vida, que as conexões se fortalecem e que a rede começa, de fato, a se consolidar.
Ali, o conhecimento deixa de ser individual e passa a circular. As experiências se tornam inspiração. E as relações construídas abrem caminho para colaborações futuras.

Construindo caminhos juntos
A experiência reforça um aprendizado essencial: soluções sustentáveis não são construídas de forma isolada.
Elas nascem da troca, da escuta e da colaboração.
Ao promover espaços como esse, contribuímos não apenas para o fortalecimento de cada cooperativa, mas para o desenvolvimento de todo o ecossistema da reciclagem.
Com isso, ampliamos o impacto social, econômico e ambiental gerado por esses grupos.

Porque ninguém transforma sozinho
No fim, o encontro deixa uma mensagem clara: ninguém transforma sozinho. Quando cooperativas se conectam, compartilham e se fortalecem juntas, elas ampliam sua capacidade de gerar impacto em seus territórios e além deles.
E é justamente nessa construção coletiva que está o verdadeiro potencial de transformação. Cooperar é transformar. E, juntos, é possível ir mais longe.







